Os deputados federais Rui Falcão (PT-SP) e Rogério Correia (PT-MG) protocolaram nesta segunda-feira (12/10) uma notícia de fato no Supremo Tribunal Federal contra o ministro Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral. A peça pede investigação sobre supostas irregularidades envolvendo o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro, citando indícios que vão de pagamentos e contratos a atos no âmbito de julgamentos de interesse da instituição financeira.
Segundo a representação, os parlamentares indicam suspeitas de corrupção passiva, lavagem de dinheiro, exploração de prestígio, prevaricação e participação em organização criminosa. A peça descreve pagamentos mensais de R$ 500 mil atribuídos a pessoa próxima ao ministro, contratos advocatícios que poderiam somar até R$ 427 milhões, hospedagem em imóvel de alto padrão estimada em R$ 1,45 milhão e até um suposto encontro particular cujo custo teria sido pago por Vorcaro. Também são mencionadas uma viagem em aeronave particular custeada por uma advogada ligada ao banco e um voto considerado decisivo em processo de interesse bilionário, após retirada de impedimento.
Os autores pedem que o STF e a Procuradoria-Geral da República atuem, e que as informações sejam enviadas ao Senado, onde já tramita denúncia por crime de responsabilidade contra o ministro. O documento ressalta, corretamente, que as alegações dependem de apuração e não equivalem a comprovação. Ainda assim, a intervenção parlamentar formaliza um desgaste institucional: a matéria coloca sob escrutínio a conduta de quem comanda a Justiça Eleitoral em pleno calendário eleitoral.
Além do potencial efeito jurídico, a iniciativa tem impacto político imediato. A abertura de investigação no STF ou reação da PGR pode ampliar a pressão sobre Nunes Marques e complicar a narrativa de estabilidade institucional às vésperas do segundo turno. Para além de responsabilizações individuais, o caso exige transparência rápida para resguardar a credibilidade do TSE e reduzir o custo político e institucional de uma controvérsia que atinge o coração da sistema eleitoral.