O relatório da Metapolítica divulgado nesta segunda-feira confirma uma tendência já visível nas urnas: a nova composição da Câmara dos Deputados é majoritariamente formada por parlamentares entre 31 e 60 anos, enquanto a fatia mais jovem — eleitos entre 18 e 30 anos — permanece reduzida. No extremo inferior da escala estão nomes como Alvinho Lira (PP-AL), com 20 anos, seguido por Ana Elisa (PT-MG) e Sandro Filho (PP-BA), ambos com 21 anos; Thiago Medina (PL-PE), 23, e Julia de Castro (PL-RJ), 24. A presença desses jovens é relevante, mas numericamente limitada frente ao conjunto da bancada.
No topo da faixa etária, o levantamento aponta quatro deputados com 77 anos — Sérgio Zambiasi (Podemos-RS), Magda Mofatto (PL-GO), Luiz Carlos Busato (União Brasil-RS) e Edinho Araújo (PRD-SP) — além de Toninho Wandscheer (PP-PR), com 76 anos. Essa distribuição etária tem implicações práticas: menor representação de jovens tende a reduzir a pressão legislativa por temas centrais para as novas gerações, como mercado de trabalho juvenil, habitação estudantil e políticas tecnológicas, enquanto parlamentares mais velhos podem priorizar agendas distintas.
O relatório também mapeou a concentração de riqueza entre os eleitos. No topo da lista de bens declarados está Jadyel Alencar (Republicanos), com cerca de R$ 107 milhões. Em seguida vêm Duda Ramos (Podemos) com R$ 78 milhões; Newton Bonin (Republicanos) e Antônio de Rueda (União), cada um com R$ 75 milhões; e Adriano Coelho (MDB), com R$ 71 milhões. Esses números não provam influência indevida, mas evidenciam um fenômeno recorrente: parcelas significativas da bancada detêm patrimônios muito superiores à média nacional, o que levanta questões sobre desigualdade de acesso ao processo eleitoral e sobre potenciais assimetrias de poder na definição de prioridades legislativas.
Do ponto de vista político, a combinação entre envelhecimento relativo da Casa e concentração de fortunas pode complicar a renovação de pautas e acentuar a distância entre representação e demandas sociais emergentes. Para o eleitor e para os formuladores de política, o dado exige atenção: trata-se de um retrato da nova Câmara que aponta desafios para pluralidade geracional e para o equilíbrio entre interesses privados e bem público.