O líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta (PT-RS), acompanhado por quatro deputados petistas, protocolou nesta terça-feira representação na Procuradoria-Geral da República (PGR) e pediu também que a Polícia Federal (PF) e o Ministério Público do Trabalho (MPT) abram investigação de alcance nacional sobre campanhas de boicote, ameaças e perseguição a eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

No documento, ao qual a reportagem teve acesso, os parlamentares relatam a circulação de listas que identificam comerciantes, empresários e trabalhadores como apoiadores do petista após o segundo turno. As publicações, registradas em municípios de pelo menos oito unidades da Federação, trazem mensagens que incentivam demissões, recusa de contratações e rompimento de relações comerciais.

Os autores da representação destacam a semelhança entre as postagens e a rapidez da disseminação como indício de possível articulação nacional e pedem que a PF apure a existência de estrutura coordenada, inclusive eventual financiamento político-eleitoral. A PGR foi instada a investigar também uma publicação atribuída ao deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), para apurar autoria e eventual relação com as campanhas de boicote. Caso haja indícios de crime, o pedido prevê adoção de medidas junto ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Politicamente, a iniciativa acende alerta sobre o uso de instrumentos econômicos como forma de coerção pós-eleitoral e pode ampliar desgaste para setores da oposição caso se confirme coordenação. A investigação tende a pressionar partidos, plataformas e empregadores a esclarecer responsabilidades e pode complicar a narrativa pública sobre manifestações políticas privadas. É, por ora, um retrato do momento que exige apuração técnica antes de conclusões definitivas.