O deputado e ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo Guilherme Derrite (PP), candidato ao Senado, afirmou em ato na Avenida Paulista, no 7 de setembro, que adotaria medidas drásticas contra o crime caso Flávio Bolsonaro (PL-RJ) vença a Presidência. Segundo ele, os membros do crime organizado que não deixarem o país seriam presos ou ‘neutralizados’, numa fala voltada a demonstrar linha dura na segurança pública.

A declaração acende alerta institucional. Propostas ou ameaças de uso de força sem distinção colocam em xeque princípios básicos do Estado de Direito e podem conflitar com limites legais que regulam ação policial e uso da força. Ao mesmo tempo, Derrite criticou o Judiciário, dizendo ser necessário “colocar os poderes em equilíbrio”, um tema que amplia desgaste nas relações entre Executivo e Supremo se transformado em programa de governo.

Politicamente, o episódio tem efeitos claros para a direita. O discurso dura tende a mobilizar a base radical favorável a respostas imediatas à violência, mas também corre o risco de afastar eleitores moderados preocupados com garantias legais e com a imagem do país no exterior. Para uma candidatura ao Senado, a ênfase na agenda de segurança aparece como tentativa de fortalecer o arco conservador, mas expõe contradições entre retórica e limites institucionais.

O episódio reforça a necessidade de escrutínio sobre propostas de segurança que beirem medidas extrajudiciais e joga luz sobre o custo político de normalizar linguagem de exceção. Em plena Avenida Paulista, a mensagem de Derrite marca o debate sobre até onde a retórica de combate ao crime pode ir sem provocar crise institucional.