A derrota da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal abalou a estratégia do Planalto para Minas Gerais e lançou incertezas sobre a candidatura do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG). No PT, a rejeição reacendeu suspeitas sobre a postura do senador, que é visto por parte da base governista como próximo ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, figura que articulou o barramento do indicado.

Integrantes do PT atribuem à derrota um efeito político direto na viabilidade da chapa em Minas: houve quem levantasse a hipótese — sem provas públicas — de que a movimentação de Alcolumbre poderia ter sido conhecida por Pacheco. O partido nacional decidiu, segundo interlocutores, abrir canal direto com o senador: o presidente do PT, Edinho Silva, telefonará a Pacheco nesta terça-feira (5/5) para cobrar clareza sobre suas intenções e sobre o compromisso com a candidatura.

Apesar da desconfiança, o PT afirma que a decisão final cabe ao próprio senador. Pacheco, que relutou inicialmente em entrar na disputa e só aceitou após insistência de Lula, trocou o PSD pelo PSB para viabilizar a composição local — o PSD já havia lançado Mateus Simões, aliado de Romeu Zema. Mesmo com a ocupação do espaço partidário, o senador manteve perfil discreto e evitou confirmar publicamente a postulação, o que agora aumenta a pressão interna.

No tabuleiro político mineiro, a combinação entre a rejeição de Messias e a cautela de Pacheco criou vácuo que faz crescer a menção a Alexandre Kalil (PDT) como alternativa para a oposição ao atual governador. Para o governo, o episódio expõe fragilidades na coordenação com o Congresso e impõe a necessidade de resposta rápida: se a liderança em Minas ficar incerta, a coligação pode ter de redesenhar a estratégia eleitoral e lidar com custo político local.