A parcela da população que afirma não confiar no Supremo Tribunal Federal (STF) alcançou 48% na última pesquisa Datafolha — a maior taxa desde o início da série, em 2012. O índice subiu cinco pontos percentuais em relação a março. No mesmo levantamento, 35% disseram confiar um pouco na Corte e 14% confiar muito. O estudo ouviu 2.002 eleitores entre 15 e 17 de setembro, tem margem de erro de dois pontos e está registrado no TSE sob o protocolo BR-04029/2026; o custo declarado foi de R$ 307.641,60, pago pela Folha de S.Paulo e pela TV Globo.
O resultado coloca o STF no topo das instituições mais descriadas: Congresso Nacional e partidos marcam 45% cada um, e a Presidência da República aparece com 42% de desconfiança. A piora na avaliação da Corte coincide com a exposição pública de documentos e mensagens vinculados às investigações sobre o Banco Master — episódio que ganhou repercussão depois que o ministro André Mendonça retirou o sigilo de relatório da Polícia Federal com conversas atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e a um número associado ao ministro Alexandre de Moraes. Trechos do material também fazem referência a Dias Toffoli, Kassio Nunes Marques e a familiares de integrantes do tribunal.
A pesquisa acende alerta sobre o capital de legitimidade do STF. A ampliação da desconfiança indica desgaste institucional: quando decisões judiciais dependem da percepção pública de imparcialidade, o tribunal perde margem de manobra política e sofre desgaste perante outros Poderes e a sociedade. O episódio ainda mantém partes do material sob sigilo, o que alimenta dúvidas sobre transparência e sobre o ritmo de esclarecimento dos fatos.
No plenário, a discussão sobre eventual abertura de investigação contra Alexandre de Moraes foi interrompida após pedido de vista do ministro Flávio Dino, que suspendeu o exame do mérito por até 90 dias. O adiamento, somado aos números da pesquisa, amplia a pressão por respostas claras do STF e coloca na agenda pública a necessidade de sinais concretos de correção de rumos, para conter a erosão da confiança institucional.