Uma pesquisa do instituto Meio/Ideia, registrada no TSE (BR-07935/2026) e aplicada em 1.500 entrevistas com margem de erro de 2 pontos percentuais, revela um quadro de forte desconfiança em relação ao Supremo Tribunal Federal. Segundo o levantamento, 51,6% dos brasileiros concordam que os ministros da Corte decidem mais por interesse próprio do que pela lei; apenas 10,9% discordam e 23,9% se mantêm neutros.
A leitura é transversal: entre eleitores de Jair Bolsonaro em 2022 a concordância chega a 53,3% e entre os de Lula a 50,8%. No recorte por autodeclaração política, 54,9% dos que se situam à esquerda concordam com a afirmação, contra 48% na direita bolsonarista. O diagnóstico sobre confiança institucional é igualmente preocupante: só 7,3% dizem ter muita confiança no STF; 28,4% têm pouca e 21,3% não têm nenhuma.
O levantamento compara sentimentos em relação a outras instituições: a Polícia Federal registra 16% de "muita confiança" e o Ministério Público 13,9%; Congresso (6,6%) e imprensa (7,6%) aparecem com índices próximos ao da Corte. A percepção de crise também se reflete no caso envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o advogado Daniel Vorcaro: entre os que ouviram falar do episódio, 40,5% imputam o problema tanto ao ministro quanto à instituição, 30% veem-no como falha institucional e 18,2% o restringem a um ministro específico.
Os números acendem alerta para o STF e para o ambiente político: a dissociação entre a autoridade institucional e a confiança pública amplia desgaste, complica a narrativa oficial e aumenta a pressão por explicações e moderação no exercício das prerrogativas judiciais. Ao mesmo tempo, o ceticismo sobre o sistema político é explícito — 41,9% afirmam que os dois lados da política são igualmente corruptos — o que agrava o custo político de um Judiciário percebido como distante do interesse público.
A pesquisa é um retrato do momento, não uma previsão. Ainda assim, os dados sugerem que a Corte enfrenta um desafio de legitimidade que pode repercutir em debates institucionais e na percepção popular sobre o papel do Judiciário. Registro técnico: amostra de 1.500 entrevistas, intervalo de confiança de 95% e margem de erro de 2 pontos percentuais. Uma ferramenta de IA foi usada para apoiar a produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.