A desembargadora Maria do Socorro Barreto Santiago, alvo da Operação Faroeste, recebeu R$ 1,3 milhão em salários desde que foi afastada do Tribunal de Justiça da Bahia, em abril de 2024. Os valores foram pagos ao longo de 24 meses, com média mensal de R$ 54,3 mil, segundo levantamento publicado pelo Estadão.

A magistrada virou ré por suposta participação em esquema de venda de sentenças ligado à grilagem no oeste baiano. A Procuradoria-Geral da República aponta pagamentos por cheques, depósitos em espécie, um relógio Rolex avaliado em R$ 120 mil e despesas em restaurante japonês de Salvador bancadas por um dos operadores identificados na investigação, Adailton Maturino, que também teria usado empresas para custear jantares a juízes e desembargadores.

A acusação descreve ainda simulação de empréstimos familiares de R$ 480 mil e o uso do genro para pagar uma parcela de R$ 275 mil na compra de imóvel, recursos que a PGR atribui a propinas. A defesa, representada pelos advogados Bruno Espiñeira e Victor Quintiere, sustenta que não há prova de prática criminosa e confia no julgamento do Poder Judiciário. O TJ-BA foi questionado pelo Estadão sobre os pagamentos, mas não respondeu até a publicação da reportagem.

O episódio amplia desgaste institucional: além da gravidade das acusações, o volume de remunerações a uma magistrada afastada escancara uma lacuna de transparência e comunicação do tribunal. A situação acende alerta sobre mecanismos de controle interno e dá munição política a opositores da Corte, ao mesmo tempo em que pressiona o STJ, responsável por processar desembargadores, a acelerar esclarecimentos e decisões.