O senador Flávio Bolsonaro (PL) e a família deixaram o Brasil na noite de 27 de outubro e seguem para Miami em um jatinho privado, segundo rastreamento de voo. A aeronave Gulfstream G400, registro LV-JQW, saiu de Puerto Iguazú, na Argentina, às 23h30, fez escala em Guayaquil (Equador) e decolou de lá às 6h21 (horário de Brasília). O site FlightAware registra que o avião evitou o espaço aéreo brasileiro e sobrevoou Paraguai, Bolívia e Peru antes de passar pelo Panamá por volta das 8h, com previsão de chegada ao aeroporto Opa-locka Executive, em Miami, por volta das 10h40.

A saída ocorre após decisão do Supremo Tribunal Federal que proibiu o senador de deixar o país e determinou a entrega de seus passaportes. Flávio havia declarado publicamente que não viajaria e que entregaria os documentos à Justiça, mas não cumpriu o prazo e teve os passaportes cancelados. Na manhã seguinte à saída, o Departamento de Estado dos EUA informou que concederia visto ao parlamentar e aos familiares, e a entrada deles foi registrada sem impedimentos pelas autoridades migratórias argentinas, que afirmaram que o grupo cruzou a Ponte Internacional Tancredo Neves com documentação válida.

Os fatos embasam uma contradição clara entre a promessa pública do senador e a prática — elemento que, na avaliação de analistas políticos, acende alerta sobre desgaste e coerência da narrativa pública. A combinação de cancelamento de documentos, permissão de entrada em países vizinhos e emissão de visto pelos EUA também levanta dúvidas sobre a efetividade das restrições impostas e sobre os mecanismos de controle em fronteiras e no sistema diplomático.

Politicamente, a movimentação complica a agenda do senador e amplia o custo político de uma posição de contestação pública ao Supremo: a viagem tende a reforçar narrativas de enfrentamento institucional e pode aumentar a pressão sobre aliados e sobre a bancada do PL. Do ponto de vista jurídico, o episódio coloca em evidência perguntas práticas sobre execução de decisões judiciais em casos que envolvem mobilidade internacional. Resta acompanhar desdobramentos formais — notificações, novas determinações judiciais ou iniciativas da Polícia Federal — e o impacto que a repercussão terá no cenário político nas próximas semanas.