O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou como "injustificável" a detenção do ativista brasileiro Thiago Ávila, aprisionado em Israel após a interceptação, em águas internacionais, da segunda flotilha da organização Global Sumud. A operação, ocorrida perto da Grécia, levou ao aprisionamento de Ávila e do espanhol Saif Abu Keshek, enquanto mais de cem ativistas pró-palestinos foram levados à ilha de Creta.

Em publicação nas redes sociais — citada pelo próprio presidente — o governo brasileiro passou a exigir, em conjunto com Madri, que os detidos recebam garantias de segurança e sejam libertados imediatamente. A prisão preventiva de Ávila e de Abu Keshek, que já havia sido prorrogada, teve nova extensão até domingo (10), segundo as autoridades do caso.

Autoridades israelenses mantêm acusações graves contra os envolvidos, incluindo assistência ao inimigo em tempo de guerra, contato com agente estrangeiro, associação e prestação de serviços a organização terrorista e transferência de propriedade para organização terrorista. O episódio sucede outra abordagem militar, em outubro, quando mais de 450 participantes de uma flotilha anterior foram detidos — entre eles a ativista sueca Greta Thunberg — e, conforme a própria Global Sumud, cerca de 180 integrantes já foram sequestrados ao longo das ações, com 35 feridos.

Além do apelo humanitário feito pelos organizadores — que dizem levar ajuda a Gaza diante do bloqueio — o caso já projeta consequências diplomáticas: a reclamação pública de Lula e a coordenação com a Espanha colocam Israel sob pressão internacional e forçam o Itamaraty a adotar postura incisiva em defesa de um cidadão brasileiro. Resta acompanhar se a reação brasileira se limitará a manifestações públicas ou evoluirá para medidas consulares e diplomáticas formais, num momento em que a disputa entre segurança, legalidade e imagem internacional tende a ganhar dimensão política.