Uma investigação da Polícia Federal, com medidas cautelares autorizadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, aponta que uma organização criminosa teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões por meio de empresas do setor de combustíveis no Rio de Janeiro. Segundo a PF, o grupo não se restringia à lavagem de dinheiro: havia um núcleo político-institucional dedicado a garantir proteção administrativa e policial para a continuidade das atividades ilícitas.

Os investigadores identificaram figuras centrais e conexões com agentes públicos. Márcio Correia de Oliveira, o 'Márcio Canella', é descrito como articulador político e aparece ligado ao senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Documentos apreendidos — incluindo uma agenda com referências a 'Emendas', 'Pedro' e 'Mota' — são tratados pela PF como indícios de repasses periódicos e de atuação para viabilizar a ocupação de cargos estratégicos alinhados aos interesses do esquema.

A apuração também alcança antigos dirigentes estaduais: Marcus Vinicius Amim Fernandes, ex-secretário de Polícia Civil e ex-presidente do Detran-RJ, é apontado como possível operador institucional que oferecia proteção, enquanto Glaucio Paz da Silva, que o sucedeu no Detran, aparece como destinatário de recursos vinculados às empresas investigadas. Apontamentos na investigação citam a Mamim Consultoria Ltda. como meio de recebimento de valores incompatíveis com suas atividades.

Além da estrutura política, a PF descreve cooptação de órgãos de fiscalização: servidores do Procon e da Sedecon teriam repassado com antecedência informações sobre operações fiscalizatórias, permitindo que postos e empreendimentos se antecipassem a autuações. O conjunto de indícios — repasses, indicações a cargos e vazamento de fiscalizações — acende alerta sobre a fragilidade institucional e expõe potencial custo político para aliados envolvidos. A investigação, por ora, oferece um retrato do momento que pode complicar narrativas oficiais e pressiona por respostas rápidas e transparência nas apurações.