O Dia Nacional do Diabetes, instituído pelo Ministério da Saúde em parceria com a Organização Mundial da Saúde, destaca nesta data um problema que já atinge cerca de 16 milhões de adultos no Brasil. A mobilização busca ampliar conscientização sobre prevenção, diagnóstico e tratamento, mas também expõe a pressão contínua sobre a atenção primária e os serviços especializados do SUS.
O relato do investigador da Polícia Civil Leônidas Antônio de Souza ilustra os riscos quando a doença não é detectada cedo. Há 23 anos ele foi diagnosticado com diabetes tipo 2, após perda de peso acelerada, sede intensa e alterações no padrão urinário. A glicemia extremamente elevada no diagnóstico exigiu uso de dois tipos de insulina, controle rigoroso da alimentação e monitorização frequente. Complicações neurológicas reduziram a sensibilidade nos pés e, após uma ferida ignorada, evoluiu para múltiplas cirurgias e perda de parte dos dedos.
Especialistas lembram que a diabetes pode causar lesões graduais nos pequenos vasos dos rins e outras estruturas sem sinais claros nas fases iniciais. Segundo o nefrologista Alexandre Habitante, o controle inadequado da glicemia leva a perda progressiva da função renal, que quando manifesta já costuma estar em estágio avançado — com inchaço, cansaço, mudanças urinárias e hipertensão — e pode culminar em necessidade de hemodiálise ou transplante, além de aumento do risco cardiovascular.
Do ponto de vista público, o quadro reforça a urgência de políticas que priorizem diagnóstico precoce, programas de educação em saúde, acesso regular a endocrinologistas e cuidados podológicos. Sem reforço na prevenção e no seguimento, o país corre o risco de arcar não só com custos maiores para o sistema, mas com consequências humanas evitáveis — amputações, insuficiência renal e redução da qualidade de vida dos milhões afetados.