Interceptações obtidas pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero revelam que ex-dirigentes do Banco de Brasília aceleraram fechamentos de operações com o Banco Master entre julho e novembro do ano passado, quando já percebiam o risco de liquidação da instituição de Daniel Vorcaro. As conversas, extraídas de arquivos apreendidos em busca e apreensão e que foram divulgadas por emissoras e confirmadas por reportagem, mostram pressão interna para assinar contratos e concluir transações antes de um eventual colapso do Master.
Os investigadores apontam que a tentativa de compra e a sucessão de operações com o Master foram conduzidas de forma deficitária: houve falhas na governança, documentação com problemas, ausência de lastro e sinais claros de risco regulatório e de liquidez. A PF descreve condutas dos diretores do BRB como temerárias, com adaptações contábeis para viabilizar negócios que, segundo o relatório, não tinham base adequada. A publicação dos diálogos reforça a imagem de pressa e decisões tomadas na esteira do risco percebido.
Em reação aos fatos, o Tribunal de Contas do Distrito Federal adotou medidas cautelares: determinou a indisponibilidade de bens de ex-integrantes da alta gestão do BRB, abriu prazo de 30 dias para manifestações e converteu o processo em Tomada de Contas Especial para apurar responsabilidades e eventuais prejuízos ao patrimônio público. O TCDF ainda exigiu que o banco envie, em 24 horas, relatório de auditoria independente e agendou audiência com o atual diretor-presidente para justificar descumprimentos anteriores de determinações do tribunal.
A combinação entre os diálogos e as decisões do TCDF amplia o risco político e institucional para o BRB e para o governo local. Além do potencial ressarcimento aos cofres do Distrito Federal, a situação corrói a confiança de mercados e clientes e eleva a pressão sobre gestores e conselheiros que autorizaram ou não frearam as operações. O núcleo das apurações concentra-se na responsabilidade administrativa e na possibilidade de responsabilização por danos decorrentes de negócios conduzidos sem lastro suficiente.
O BRB afirmou que vê de forma positiva as medidas e que a atual gestão atua diligentemente na defesa dos interesses da instituição e na recuperação de ativos. Ainda assim, as evidências trazidas pelas interceptações e pelo relatório da PF deixam claro que será necessária transparência técnica e exames independentes para reparar eventuais perdas e restaurar governança. Para o ambiente político local, o caso abre um novo capítulo de desgaste e cobrança sobre a administração do banco público.