O Supremo Tribunal Federal atravessa uma das suas crises internas mais agudas das últimas décadas, com repercussões institucionais e políticas imediatas. O embate escalou a partir de iniciativas do relator do caso Banco Master, ministro André Mendonça, que determinou a quebra de sigilo de conversas envolvendo o dono do banco, Daniel Vorcaro, e o ministro Alexandre de Moraes. A medida, tomada em 1º de setembro, trouxe ao centro do debate acusações entre colegas e suspeitas de escolhas seletivas sobre o que deveria ser tornado público.
A crise ganhou nova dimensão quando Mendonça afastou preventivamente o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência, Leandro Almada. A decisão afetou diretamente a estrutura da corporação e provocou reação no governo e na própria PF. Paralelamente, o ministro Flávio Dino havia autorizado, em 3 de setembro, diligências no caso Dark Horse, ampliando o contexto de tensão. Diligências posteriores miraram figuras ligadas à produção da cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, incluindo o deputado Mário Frias e uma produtora que recebeu R$ 2 milhões em emendas.
O presidente do STF, Edson Fachin, passou a centralizar a gestão da crise: suspendeu decisões que provocaram o choque entre ministros, determinou a reintegração temporária de agentes afetados e marcou uma sessão extraordinária do plenário para 15 de setembro, quando será analisado pedido de investigação que cita mensagens encontradas no celular de Vorcaro. Fachin também ordenou que Mendonça encaminhasse a todos os gabinetes os procedimentos relacionados ao Banco Master e levantasse sigilos, exceto quando diligências em andamento exigissem proteção. A divulgação parcial dos documentos, contudo, reavivou o conflito: Moraes apontou que centenas de peças continuam sob sigilo e acusou o relator de liberar material de forma seletiva.
O episódio expõe mais do que uma disputa sobre provas: afeta a governança interna do STF e a relação entre a Corte e a Polícia Federal. A centralização adotada por Fachin busca restaurar controle e transparência, mas também revela um racha que pode comprometer a confiança no funcionamento colegiado. Politicamente, o caso tende a ampliar desgaste sobre a imagem institucional do tribunal e a pressionar ministros a clarificar procedimentos e critérios de sigilo. A sessão marcada para 15 de setembro será um termômetro do poder de articulação do presidente da Corte e da capacidade do Supremo de evitar que conflitos internos se transformem em crise prolongada.