O ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino determinou o afastamento cautelar por 180 dias do presidente do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão (TCE-MA), Daniel Brandão. Sobrinho do governador Carlos Brandão (MDB), o conselheiro é alvo de inquérito que apura suspeitas de corrupção e possíveis vínculos entre políticos, empresários e membros da família Brandão.
A decisão judicial impõe também a proibição de contato, direto ou indireto, entre Daniel Brandão e o governador Carlos Brandão, além de Marcos Brandão (irmão do governador), do ex-secretário Raimundo Cutrim e de Gilbson Júnior — este último citado na investigação e condenado pela morte de João Bosco Sobrinho. Daniel fica impedido de acessar os sistemas internos do TCE-MA e de frequentar eventos públicos relacionados às funções que exercia.
As medidas são apresentadas pelo ministro como providências cautelares para evitar interferência nas apurações, mas têm efeito político claro: ampliam o desgaste em torno do governador e complicam a narrativa oficial sobre transparência e controle no estado. O afastamento de um presidente do tribunal de contas para investigação de natureza política e administrativa eleva o custo institucional da crise.
Trata-se de decisão temporária no âmbito do inquérito, que seguirá tramitando no STF. Além do impacto imediato sobre a rotina do TCE-MA, o caso passa a exigir do poder público respostas objetivas e celeridade na investigação para restabelecer confiança nas instituições e esclarecer, com base em provas, as suspeitas levantadas.