O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta segunda-feira (24) que a Polícia Civil de São Paulo compartilhe com a Polícia Federal as informações levantadas sobre a produtora do filme Dark Horse. A decisão amplia o alcance da apuração e conecta os elementos coletados em diligências estaduais a uma investigação federal com foco em recursos e possíveis irregularidades.
Em junho, a Polícia Civil cumpriu mandados na Go Up Entertainment — responsável pelo longa — e no Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade que mantém contratos com a Prefeitura de São Paulo. A operação mirou a proprietária da produtora, Karina Ferreira Gama, e atingiu também endereços pessoais, com apreensão de documentos, celulares e computadores que agora podem ser usados pela PF.
As duas corporações investigam aspectos distintos: a Polícia Civil concentrou-se nas rotas do dinheiro e contratos locais; a PF quer apurar se houve lavagem de dinheiro no envio de recursos ao filme e se parte dos valores financiou a permanência do deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Relatos em investigação mencionam o senador Flávio Bolsonaro em conversa sobre pedidos de dinheiro a Daniel Vorcaro. Em 2024, segundo apurações, Mário Frias destinou R$ 2 milhões à produtora; outros dois parlamentares também teriam repassado recursos.
A decisão de Dino tem efeito político imediato: amplia pressão sobre deputados e senadores ligados ao caso e complica a narrativa oficial sobre o uso de emendas para projetos culturais. Ao integrar provas estaduais e federais, a ação intensifica o escrutínio sobre patrocínios privados e contratos públicos, e pode trazer consequências institucionais e eleitorais para figuras envolvidas, sem prejulgar resultados das apurações.