O ministro Flávio Dino fez uma publicação pública nesta sexta-feira em que defende a primazia das instituições e dos procedimentos jurídicos diante de uma crise interna no Supremo Tribunal Federal. A manifestação ocorre no calor do embate entre dois ministros, André Mendonça e Alexandre de Moraes, associado ao caso Banco Master. Três dias antes, Mendonça havia tornado público um relatório da Polícia Federal com registros de contatos entre Moraes e o fundador do banco. Na sequência, o presidente do STF, Edson Fachin, determinou que as partes relevantes — incluindo Mendonça, Moraes, o diretor-geral da PF e o PGR — apresentem explicações em prazo determinado.

Na sua mensagem, Dino enfatizou que o tribunal precisa se sustentar por regras e rotinas institucionais, não por preferências pessoais ou demonstrações públicas de força. Ele advertiu contra fenômenos que, na visão dele, fragilizam a capacidade de investigação e julgamento — da ausência de estruturas jurídicas sólidas até a tendência a decisões precipitadas. O ministro também chamou atenção para a importância do tempo processual adequado: crises exigem escuta, análise e resposta no momento oportuno para que a Justiça não seja convertida em instrumento de interesses externos ou de disputas internas.

A intervenção de Dino tem efeito político: age como um apelo à contenção, mas também expõe um custo. Quando ministros trocam acusações e submetem interlocuções privadas ao escrutínio público, cresce a percepção de desgaste do Judiciário. Isso pode reduzir a confiança nos tribunais e abrir espaço para narrativas que instrumentalizem investigações e decisões em benefício de atores políticos. Além disso, a pressão sobre as instâncias de investigação — Polícia Federal e Procuradoria — ganha carga adicional, o que complica ainda mais o trabalho de contenção do presidente do STF e o esforço por manter a Corte funcionando sem rupturas.

Do ponto de vista institucional, a mensagem combina defesa da continuidade do trabalho jurisdicional com um aviso claro: julgar apesar da crise não é ignorá‑la, desde que procedimentos e transparência sejam respeitados. Resta ao Supremo transformar esse apelo em prática: procedimentos rigorosos, prazos cumpridos e respostas públicas que limitem especulações. Se isso não ocorrer, a disputa interna tende a gerar preço reputacional e a ampliar a sensação de fragilidade do sistema judicial — consequência que atores públicos e privados, inclusive o próprio Congresso e o Executivo, acompanharão com preocupação.