O ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino pediu ao presidente da Corte, Edson Fachin, a abertura de apuração sobre uma possível relação entre o Banco Master, o Instituto Iter — fundado por André Mendonça — e contratos firmados com a Prefeitura de São Paulo. O pedido foi motivado por elementos colhidos em ação que discute regras para cemitérios privados no estado.
Dino cita investigação do Ministério Público de São Paulo sobre irregularidades na concessão de serviços cemiteriais e eventual vínculo entre a concessionária Cortel e o Banco Master. O ministro também apontou que, quando o julgamento foi retomado em abril de 2025, Mendonça apresentou voto contrário a decisão individual anterior de Dino, alinhando-se aos pedidos das empresas do setor.
No ofício, Dino ressalta ainda que Alexandre Mendonça, irmão do ministro, atua na SP Regula justamente na área funerária; e que, em 14 de março de 2015, houve encontro entre André Mendonça e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, na sede do Instituto Iter. O documento lembra contratos do Instituto com a Prefeitura e cita também ligação de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, à Cortel, além de contrato de cerca de R$ 1,63 milhão com a FDE.
O ministro deixa claro que não afirma, com esses fatos, a existência de irregularidade, mas pede que as possíveis conexões sejam apuradas para verificar risco de conflito de interesses, favorecimento ou atuação indevida. Politicamente, o episódio acende alerta: levanta dúvidas sobre imparcialidade e pode ampliar desgaste para Mendonça, ao mesmo tempo em que complica a narrativa de integridade do Judiciário se a investigação não for esclarecedora e rápida.