O ministro Flávio Dino pediu vista e suspendeu o julgamento no Supremo que avaliava abrir investigação contra Alexandre de Moraes. O pedido ocorreu em meio a um debate ríspido no plenário, depois de intervenção do ministro André Mendonça e de reações cruzadas entre colegas, deixando a votação sem desfecho imediato.

A sessão ganhou contornos de crise institucional quando o presidente do STF, Edson Fachin, solicitou que o procurador-geral da República se manifestasse sobre as ligações identificadas no celular de Daniel Vorcaro. Paulo Gonet disse não ver ilegalidade no seu trabalho; Mendonça pediu avaliação da atuação da PGR e Gilmar Mendes reagiu duramente às colocações, elevando o tom do confronto.

Com a vista de Dino, a contagem ficou suspensa — o placar provisório era 4 a 3 contra a juntada dos casos de Moraes e de Mendonça ao debate conjunto. Embora Dino tenha indicado que tende a favor da junção, seu voto não foi computado, o que amplia a incerteza sobre o resultado final e posterga uma decisão que tem impacto político direto no tribunal.

Além do efeito prático de adiar a deliberação, a interrupção revela desgaste interno e alimenta críticas sobre o modo como o Supremo tem lidado com temas sensíveis em ano eleitoral. A divisão entre ministros e a sequência de manifestações públicas aumentam o desafio de preservar a imagem de imparcialidade da Corte e podem ter repercussão política nas próximas semanas.