O ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino determinou nesta quarta-feira (30/9) que a Polícia Federal investigue uma sequência de ataques contra imagens e espaços religiosos registrados em várias unidades da Federação. A medida foi tomada no mesmo processo em que o magistrado havia decidido, no domingo (27), sobre a circulação de publicações envolvendo Nossa Senhora Aparecida.
No despacho, Dino reuniu relatos vindos de diferentes regiões que apontam para uma “aparente onda de ataques nos últimos meses” e listou episódios ocorridos em cidades como Salvador, Londrina, Rio Grande, Maceió e em locais do estado de Mato Grosso. Também cita a destruição de imagens de orixás e o furto de objetos em um terreiro de umbanda em Esmeraldas (MG).
O ministro apontou indícios de prática de diversos crimes — ultraje a culto religioso, preconceito religioso, injúria qualificada por elemento religioso, ameaça, furto, dano e incêndio — e qualificou o quadro como “bastante grave”. Determinou o envio das cópias da decisão ao procurador‑geral da República e ao diretor‑geral da PF, requisitando a abertura do inquérito policial, com possibilidade de centralizar as investigações ou desmembrá‑las conforme necessidade.
A entrada da PF justifica‑se, segundo o despacho, pela repercussão interestadual, pela necessidade de repressão uniforme e pela natureza aparente de crimes contra direitos humanos. Politicamente, a medida acende alerta sobre tolerância e segurança, amplia pressão sobre autoridades estaduais por resultados e complica a narrativa oficial caso as investigações não avancem com rapidez e transparência.