O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino determinou que 29 investigados na Operação Make Up não poderão deixar o país sem autorização judicial e fica proibida a comunicação entre eles. Entre os alvos está o deputado federal Mário Frias (PL-SP), ex-secretário especial da Cultura e produtor executivo do filme Dark Horse, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro.

A Polícia Federal cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. A investigação apura suspeitas sobre a destinação de R$ 2 milhões, via emenda parlamentar indicada por Frias, ao Instituto Conhecer Brasil — organização vinculada à produção do longa. A Controladoria-Geral da União (CGU) apontou indícios de problemas na aplicação dos recursos e há apurações sobre eventual falta de comprovação de parte dos gastos.

Segundo o inquérito, há elementos que levam à suspeita de uma suposta organização criminosa envolvendo agentes públicos e privados, com direcionamento de recursos a empresas subcontratadas sem clara comprovação da prestação de serviços. Os materiais obtidos em operação da Polícia Civil de São Paulo passaram ao STF e ajudaram a impulsionar a investigação no âmbito da Corte. Dois inquéritos tramitam no Supremo — um relatado por André Mendonça e outro por Dino, que já havia exigido esclarecimentos de Frias em março.

Politicamente, as medidas elevam o custo para o deputado e colocam pressão sobre o PL e aliados do governo Bolsonaro: a proibição de sair do país e o corte de comunicação sinalizam preocupação da Justiça com risco de obstrução e dificultam a narrativa de normalidade sobre a gestão de recursos públicos. Frias nega irregularidades e afirma que a emenda teve finalidade social, mas o avanço das investigações exige respostas concretas e pode gerar desgaste político e reputacional enquanto a apuração segue em curso.