Na quarta-feira (9/9), o ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino ordenou a reintegração imediata de Andrei Rodrigues ao comando da Polícia Federal e de Leandro Almada à Diretoria de Inteligência Policial. A determinação anulou decisão anterior do também ministro do STF André Mendonça, e reacendeu discussões sobre o papel das cortes em conflitos envolvendo a administração da corporação e o processo eleitoral. Ambos os magistrados já passaram pela pasta da Justiça em governos distintos, o que reforça a dimensão política dessas decisões.
O titular da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, saudou a decisão e interpretou o episódio como um restabelecimento da autonomia entre os Poderes, criticando qualquer tentativa de interferência indevida nas estruturas de investigação. Coordenador da campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Boulos cobrou ainda que o debate público se desvie da judicialização e volte-se às propostas: listou temas como organização do trabalho, soberania e medidas voltadas aos trabalhadores como prioridade da disputa eleitoral.
Politicamente, a medida de Dino tem efeito direto sobre a estratégia de campanha. Ao reduzir o espaço para narrativas que associem ações da Polícia Federal a pressões políticas, a decisão limita um dos eixos de contestação que a oposição vinha explorando. Para o governo, é um alívio institucional que permite tentar deslocar o embate para propostas e números; para o PL e aliados, impõe a necessidade de recalibrar discurso, sob pena de ver a disputa se concentrar em agenda socioeconômica favorável ao petismo, como sugeriu o ministro governista.
A decisão também ilumina uma tensão estrutural: a alternância de agentes entre ministérios e o Judiciário torna cada ato judicial politicamente sensível. Isso não invalida a legitimidade das decisões, mas amplia sua repercussão eleitoral. No curto prazo, o governo ganha margem para insistir em temas de gestão e impacto social; a oposição, por sua vez, precisa responder com propostas concretas em vez de apostar apenas na judicialização. O resultado prático será a capacidade das campanhas de transformar essa movimentação jurídica em vantagem eleitoral, algo que só será medido na reação dos eleitores e nas próximas pesquisas.