A candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) ganhou nesta semana um reforço significativo do campo conservador: além de Progressistas, União Brasil e Republicanos, o Podemos decidiu aderir ao projeto do senador, e se somaram ao leque de apoios o governador eleito de Minas, Cleitinho Azevedo, e o presidenciável do Avante, Augusto Cury. O movimento consolida boa parte da direita em torno do nome do PL para o segundo turno, mas não representa uma adesão automática e homogênea.
A entrada do Podemos tem peso prático: o partido saltou de 12 para 27 deputados federais e chega ao segundo turno com maior capacidade de barganha no Congresso. Flávio agradeceu a adesão e afirmou a intenção de incorporar demandas levantadas nas negociações — sinal de que tratores políticos serão necessários para transformar apoios eleitorais em estrutura legislativa. Paralelamente, líderes como Tarcísio de Freitas e o prefeito Ricardo Nunes atuam para atrair o MDB, numa tentativa de ampliar ainda mais a coalizão.
Ao mesmo tempo, a costura eleitoral expõe contradições. Cleitinho, embora confirme apoio, deixou claro que não concorda com Flávio na proposta alternativa de jornada de trabalho defendida pelo coordenador de campanha, senador Rogério Marinho. O governador eleito de Minas defende a PEC que reduz a jornada a 40 horas (PEC 221), enquanto Flávio apoia a PEC 12/2026, que amplia negociação entre empregador e empregado. A divergência, amenizada publicamente por Cleitinho, revela que parte do acordo será por conveniência eleitoral, não por sintonia programática plena.
Além disso, a direita não está totalmente unida: o partido Missão optou por não se aliar e seu ex-presidenciável Renan Santos, juntamente com o deputado Kim Kataguiri, mantém postura crítica — Renan chegou a dar sinais de que pode recomendar voto na reeleição de Lula sem, contudo, formalizar apoio. Essa dissidência reduz a margem de consolidação plena e acende um alerta sobre a capacidade de Flávio de converter o agrupamento em base estável de governo. Em resumo, a ampliação de forças amplia o alcance eleitoral imediato, mas deixa em aberto o custo político e os desafios de governabilidade que virão caso a coalizão precise traduzir apoio em maioria parlamentar e reformas.