Em movimento político que mudou o mapa da disputa pela vaga no Tribunal de Contas da União, o deputado Danilo Forte trocou o União Brasil pelo Progressistas e lançou candidatura com apoio do PSDB. Em entrevista, ele criticou a pulverização de candidaturas entre o Centrão e a oposição, afirmando que a dispersão beneficia, na prática, o nome indicado pelo governo, o deputado Odair Cunha (PT‑MG).

Forte apontou contradições no comportamento do PL como exemplo do problema: o partido chegou a lançar Hélio Lopes e depois recuou para apoiar Soraya Santos, numa estratégia articulada por Flávio Bolsonaro. Segundo o deputado, a mudança expõe decisões oportunistas — inclusive sobre a pauta de gênero — e demonstra falta de compromisso com um processo de escolha mais qualificado.

Para o parlamentar, a repetição da lógica da polarização nacional na escolha para o TCU reduz a capacidade de articulação do bloco opositor e facilita o caminho para a indicação governista. A fragmentação, diz ele, não é só erro tático: tem custo político, porque fragiliza a negociação entre bancadas e empurra a decisão para um resultado menos contestado pelo PT.

A crítica de Forte coloca em evidência um dilema político mais amplo: a disputa por uma vaga técnica no Tribunal assume dimensão estritamente política quando partidos priorizam cálculo e pressão interna. O resultado pode reforçar percepções de que o processo está submetido a lógica partidária, com efeitos sobre a legitimidade da escolha e sobre o equilíbrio institucional.