A corrida pelos votos da chamada geração Z — 18,7 milhões de brasileiros entre 16 e 24 anos, segundo o TSE — virou prioridade nas estratégias presidenciais. Nem sempre discretas, as iniciativas vão de campanhas organizadas, como a ação do movimento Juventude do PT batizada de “Brota na urna”, a postagens provocativas do deputado Nikolas Ferreira que viralizam nas redes, e até a cena de Flávio Bolsonaro dançando um funk em evento. O sinal é claro: o eleitor jovem é visto como fatia capaz de influenciar o resultado num pleito que tende a ser apertado.
Os números mais recentes do Datafolha mostram por que há pressa. Entre 16 e 24 anos, Lula lidera com 35% contra 28% de Flávio Bolsonaro em cenário de primeiro turno; no segundo turno, a vantagem aparece em 47% a 41% (margem de erro de dois pontos). Mesmo com essa preferência momentânea, há uma contradição que não passa despercebida pela campanha do presidente: é justamente nesse segmento que a avaliação do governo é mais desfavorável — 50% dos jovens desaprovam a administração, contra 45% que aprovam, e apenas 19% consideram o governo ótimo ou bom, bem abaixo da média geral.
É aí que mora o desafio estratégico. Para a esquerda, reverter a avaliação negativa entre os jovens e neutralizar objeções relacionadas à idade do líder político são tarefas que exigem mais do que marketing cultural: passam por apresentar resultados visíveis em políticas públicas que impactem emprego, educação e mobilidade social do público jovem. Para a direita, a lição é diferente: transformar ações midiáticas e menções culturais em credibilidade e reduzir a rejeição associada ao bolsonarismo demandará disciplina narrativa e propostas concretas, sob pena de a linguagem jovem ficar restrita a memes e performance sem voto convertido.
Há ainda obstáculos que todas as candidaturas enfrentam: a aversão à polarização registrável entre parte dos jovens e a maior propensão do segmento à abstenção. Isso transforma a batalha em dois fronts — conquistar preferência e, ao mesmo tempo, mobilizar para que o eleitor apareça nas urnas. Num panorama em que eleição se decide por margem curta — em 2022 a diferença foi de 2,1 milhões de votos —, o sucesso ou fracasso na mobilização da geração Z pode amplificar desgaste, forçar recalibrações de campanha e alterar o mapa das alianças. Resta ver quem conseguirá transformar conteúdo viral em voto concreto.