Em 4 de outubro, os brasileiros escolherão os 513 deputados federais que ocuparão a Câmara pelos próximos quatro anos. A disputa não é uniforme: a representação se concentra em poucos estados e dá a eles peso decisivo nas negociações partidárias, na formação de bancadas e na definição de prioridades legislativas.
A Constituição estabelece que nenhum estado tenha menos de oito nem mais de 70 deputados. São Paulo tem a maior bancada, com 70 vagas; Minas Gerais, 53; Rio de Janeiro, 46; Bahia, 39; e Rio Grande do Sul, 31. No extremo oposto, Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima, Sergipe, Tocantins e o Distrito Federal elegem oito parlamentares cada.
A eleição para a Câmara segue o sistema proporcional: o total de votos de cada partido ou federação define quantas cadeiras a legenda obtém, que depois são ocupadas pelos candidatos mais votados dentro da sigla. Qualquer proposta de alterar o número de deputados esbarra em duas frentes: custo adicional — estimado em até R$ 64,6 milhões por ano — e rejeição popular. Pesquisa Datafolha aponta que 76% da população é contra o aumento, dado que acende alerta sobre o custo político dessa mudança.
O desenho atual da bancada tem efeito prático em 2026, quando o eleitor também votará para deputado estadual/distrital, dois senadores, governador e presidente: maior concentração em estados populosos influencia negociações pelo Orçamento da União e pela pauta econômica. Propostas de ampliar a Câmara enfrentam resistência pública e custo fiscal, o que complica a alternativa mesmo quando partidos buscam mais espaços de representação.