Documentos revelados pelo site The Intercept, entre eles uma planilha de pagamentos e um comprovante Swift, trazem novo fôlego à apuração sobre o financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. Segundo os registros, ao menos US$ 10,6 milhões — cerca de R$ 61 milhões na cotação da época — foram repassados até maio de 2025.
Os papéis permitem reconstruir parte da rota dos recursos: remetidos pela empresa Entre Investimentos, os valores teriam seguido para o Havengate Development Fund LP, fundo do Texas, e tiveram como destino final a Go Up Entertainment, produtora responsável pelo projeto. Um comprovante aponta remessa de US$ 2 milhões em 13 de fevereiro de 2025.
A planilha, que registra um cronograma de 14 desembolsos entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, mostra que pouco mais da metade do previsto não havia sido paga até maio. Mensagens anexas à documentação, com trocas entre executivos e Vorcaro, sugerem que novos aportes ainda eram discutidos: 'Segunda fazemos duas', escreveu o ex-banqueiro.
As revelações ampliam o quadro já exposto por um áudio de maio, em que Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro tratam de aporte de US$ 24 milhões. A Polícia Federal investiga se parte dos recursos foi desviada para custear a permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Politicamente, o caso acende alerta e amplia desgaste sobre aliados e a narrativa de transparência em torno do financiamento.