O ex-governador de São Paulo João Doria formalizou apoio à pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, posicionamento que justificou como uma escolha consciente contra o projeto político de Luiz Inácio Lula da Silva e em favor de um caminho alternativo para o país. Líder do grupo empresarial Lide, Doria apresentou a decisão como parte de um debate saudável sobre divergência e alternância de comando, tese que usa para enquadrar seu alinhamento político atual.
Na mesma fala, Doria fez críticas duras ao governo Lula: disse que a administração perdeu a oportunidade de costurar uma agenda de unidade nacional e, em vez disso, teria estimulado conflitos entre classes e intensificado divisões regionais — especialmente entre Nordeste e Sul. Ainda segundo o ex-governador, a gestão priorizou julgamentos sobre episódios do passado em detrimento da gestão cotidiana e chegou a apoiar — nas suas palavras — grupos extremistas em conflito com a comunidade judaica, uma acusação grave que amplia o tom político do pronunciamento.
Doria também se posicionou contra o instituto da reeleição, defendendo a proposta atribuída ao senador Flávio Bolsonaro de encaminhar ao Congresso um projeto para limitar o mandato presidencial a um único período. Ele valorizou, no discurso, a postura de Flávio no debate televisivo da Band, quando o senador admitiu falhas na condução de trechos da gestão anterior de Jair Bolsonaro, entre eles a estratégia de vacinação. A combinação entre crítica ao governo e defesa de reforma institucional coloca no centro do debate um tema com impacto direto sobre incentivos políticos.
Do ponto de vista político, o gesto de Doria sinaliza uma tentativa de atrair apostas do meio empresarial e do centro-direita para a candidatura de Flávio, ao mesmo tempo em que acende alerta para o governo sobre perda de interlocução com esse segmento. A iniciativa complica a narrativa oficial ao expor fissuras na frente moderada e pode elevar a pressão por respostas tanto do Palácio quanto de outras lideranças oposicionistas. Resta ver se o movimento se traduzirá em transferência de votos, recursos ou capacidade de articulação parlamentar nos próximos meses.