O deputado Douglas Ruas (PL) foi eleito presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) na manhã desta sexta-feira, com 45 votos a favor. A disputa teve caráter simbólico: Ruas foi o único candidato e a votação transcorreu sob contestação da oposição, que questionou o processo em duas ocasiões durante a sessão.
A eleição segue um episódio anterior: em 26 de março Ruas já havia sido indicado por parte da base aliada, mas aquela votação foi anulada pela Justiça, o que motivou a realização de novo pleito. Desta vez, partidos como MDB, PDT, PSOL, PT, PSD e PC do B, além de 27 parlamentares, decidiram não participar e afirmaram que vão recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para impugnar o resultado.
A ausência expressiva de legendas e o anúncio de recurso ao STF acendem alerta sobre a legitimidade política do comando da Casa. Embora formalmente eleito, Ruas assume sob pressão institucional: a resistência da oposição fragiliza a governabilidade da mesa e pode dificultar a tramitação de pautas sensíveis, além de ampliar desgaste político para a base que o apoiou.
O desfecho mantém em aberto disputa judicial e disputa política pela condução da Alerj. Mais do que selar uma cadeira, a eleição revela fissuras na composição parlamentar e sinaliza um ambiente de tensão institucional que terá impacto direto na agenda legislativa e na capacidade de articulação do novo presidente.