Em confronto com parlamentares da oposição na Câmara dos Deputados, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, sustentou que a carga tributária sobre os assalariados diminuiu nas medidas mais recentes do governo. Como exemplo, citou a proposta de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e a redução do tributo para quem aufere até R$ 7.350 mensais — um universo que, segundo a Fazenda, abrange mais de 90% dos trabalhadores.
A oposição acusa o Executivo de elevar a carga com 'novos impostos'. Durigan rejeitou a caracterização, argumentando que as mudanças miram maior equidade: tributar fundos exclusivos e investimentos em paraísos fiscais, e encerrar privilégios que antes permitiam isenções, como em alguns segmentos de apostas on-line. O ministro, que assumiu a pasta no lugar de Fernando Haddad há três meses, disse tratar-se de correção de distorções, não de sanha arrecadatória.
O chefe da equipe econômica também apresentou indicadores favoráveis para sustentar a sua abordagem: crescimento do Produto Interno Bruto de 1,1% no primeiro trimestre e alta de 3,5% na formação de capital fixo. Durigan reconheceu, porém, riscos e desafios — juros ainda elevados, efeitos de choques externos sobre cadeias de abastecimento e a necessidade de medidas como subsídio a combustíveis e contingenciamento de R$ 23 bilhões para conter pressões inflacionárias.
No centro do embate ficou o projeto do Refis do Agro, aprovado no Senado e estimado pela Fazenda em impacto de cerca de R$ 140 bilhões ao longo de 13 anos. Parlamentares favoráveis pediram que a proposta não seja tratada como 'pauta-bomba'. O tom do debate expõe a tensão entre reivindicações setoriais e limites fiscais do governo: a disputa promete exigir articulação política para equilibrar pressão por renúncias e a necessidade de preservação do espaço orçamentário.