O ministro da Fazenda, Dario Durigan, confirmou nesta terça-feira (26/5) que o encontro no Supremo Tribunal Federal serviu para estabelecer parâmetros que permitam concluir “em muito breve” uma conciliação envolvendo o Banco de Brasília (BRB), o Governo do Distrito Federal, a Advocacia-Geral da União, o Banco Central e outras instituições. Durigan classificou a situação do BRB como grave e deixou claro que as investigações sobre os atos ilícitos que originaram o problema continuarão, ao mesmo tempo em que defendeu a busca por um acordo que preserve o funcionamento da instituição financeira para a população do DF.
Entre as tratativas apontadas pelo ministro está a estruturação de uma operação de crédito do GDF com o Fundo Garantidor de Crédito (FGC), avalizada por um sindicato de bancos públicos e privados, com contragarantias fornecidas pelo próprio Distrito Federal. Durigan também afirmou que solicitou ao ministro Fux a garantia de que eventuais recursos recuperados nas investigações serão usados para ressarcir e recompor os cofres do GDF e do BRB. O episódio remete às perdas provocadas pelo Banco Master, avaliadas em cerca de R$ 6,6 bilhões, e à investigação que envolve o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso e em negociação de delação premiada.
O caso acende alerta para a gestão do BRB e amplia desgaste político do GDF: a dependência de uma operação complexa, com participação de bancos públicos e privados e medidas de contragarantia, transfere pressão para o Executivo local e para a capacidade fiscal do Distrito Federal. A autorização do empréstimo vinha sendo barrada pelo risco classificado como C na Capacidade de Pagamento (Capag), um sinal de cautela que restringe alternativas e expõe a dificuldade de resolver o rombo sem comprometer responsabilidades fiscais. Para além da recomposição financeira, está em jogo a credibilidade do banco e a manutenção de serviços bancários essenciais à população do DF.
A agenda prevê novo encontro no STF na quinta-feira (28/5). O desafio é combinar rapidez na solução — para evitar contágios operacionais e políticos — com garantias efetivas de transparência e ressarcimento. Do ponto de vista fiscal, a negociação exigirá equilíbrio: atender à urgência de recompor o BRB sem transferir custo indevido ao contribuinte e sem enfraquecer regras de disciplina orçamentária. A pressão agora é por um acordo que ofereça segurança jurídica e financeira, acompanhado de mecanismos claros para que recursos recuperados sejam destinados integralmente à recomposição dos cofres públicos.