O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta terça-feira (2/6) que qualquer negociação com os Estados Unidos envolvendo o Pix "não está na mesa" e atribuiu responsabilidade ao senador Flávio Bolsonaro pela relação com a proposta do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR). O documento do USTR aponta práticas brasileiras — incluindo o Pix — como possíveis obstáculos ao comércio norte-americano.
Durigan defendeu o Pix como tecnologia pública e símbolo de soberania financeira, destacando que o sistema é utilizado por bancos, fintechs e milhões de brasileiros, além de ser objeto de interesse internacional por sua gratuidade e facilidade de uso. Segundo o ministro, há setores com interesses particulares incomodados com a expansão do meio de pagamento.
A avaliação do Palácio é que a iniciativa do USTR, que menciona a Seção 301 e sugere medidas como taxação de produtos brasileiros, conflita com a narrativa do governo sobre autonomia tecnológica e proteção do mercado interno. Durigan esteve em reunião com o vice-presidente e outros ministros para desenhar a resposta oficial, numa sinalização de que a questão terá tratamento diplomático e técnico conjuntural.
Politicamente, o episódio amplia a tensão entre o Planalto e a família Bolsonaro ao transformar a disputa sobre o Pix em argumento de exposição pública. Além do potencial impacto nas relações comerciais com os EUA, a disputa pode gerar repercussão doméstica, pressionar aliados e exigir clareza de Brasília sobre medidas de defesa do sistema financeiro e das empresas brasileiras. A situação permanece sob acompanhamento.