O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que há fortes indícios de que recursos usados para financiar a cinebiografia 'Dark Horse', sobre Jair Bolsonaro, passaram pela mesma estrutura de lavagem de dinheiro que movia recursos do Primeiro Comando da Capital (PCC), de usinas sucroalcooleiras clandestinas e de esquemas de adulteração de combustíveis. A declaração foi dada durante o detalhamento da terceira fase da Operação Carbono Oculto, denominada Crédito Oculto.

Autoridades do Gaeco, da Receita Federal, da Polícia Federal e do Ministério Público Federal executaram 29 mandados de busca e apreensão em seis estados, no âmbito de uma apuração que aponta movimentações de R$ 11,6 bilhões por meio de fundos e instituições financeiras. Entre os alvos, estão ex-diretores do Banco Genial e o proprietário da Entre Investimentos, que é apontada como uma espécie de 'central de liquidez' onde recursos de origens distintas teriam sido misturados.

Os investigadores identificaram o uso de fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs), fundos multimercados e fintechs como contas de passagem, capazes de ocultar controle societário e acelerar transferências entre camadas. Em um dos episódios relatados na investigação, valores da ordem de R$ 100 milhões teriam circulado por múltiplas camadas societárias em poucos minutos, operação típica para mascarar a origem dos recursos e viabilizar aquisições no setor de combustíveis.

Durigan ressaltou que a mudança de tática das organizações criminosas para estruturas do sistema financeiro formal exige investigação sobre 'o andar de cima' e o envolvimento de atores e instituições que funcionam como instrumentos de ocultação patrimonial. A Receita Federal, segundo o ministro, vem empregando ferramentas de inteligência artificial para automatizar o rastreamento de movimentações atípicas e acelerar a identificação de cadeias financeiras complexas.

A ligação entre o financiamento do filme e estruturas suspeitas amplia o desgaste político e reputacional para quem patrocinou a produção, e levanta questões sobre a origem dos recursos destinados a produtos midiáticos de forte apelo político. Do ponto de vista institucional, as apurações prometem testar a capacidade dos órgãos de controle de desmontar circuitos sofisticados de lavagem sem presunção de culpa: o que se conhece até agora são indícios que obrigam aprofundamento das investigações e podem gerar repercussões legais para pessoas e empresas citadas.