Em sua primeira coletiva como titular do Ministério da Fazenda, Dário Durigan apresentou o tom central da gestão: conciliar responsabilidade fiscal com políticas voltadas à inclusão. A declaração, dada na Residência Oficial da Câmara, reforça intenção de levar ao centro do debate a previsibilidade econômica para investidores sem renegar ações sociais.

Durigan marcou a relação com o Congresso como elemento decisivo para viabilizar a agenda. Segundo o ministro, a equipe econômica não pretende apresentar medidas fechadas, mas construir propostas em articulação com lideranças da Câmara e do Senado. A abordagem sinaliza que cortes e revisões de gastos terão custo político e exigirão negociações.

Nosso compromisso é garantir estabilidade econômica sem renunciar à melhoria da vida das pessoas.

No rol de prioridades citadas estão o fortalecimento do arcabouço fiscal, a recuperação da credibilidade das contas públicas e medidas para estimular investimentos e emprego. Embora o ministro tenha evitado detalhes técnicos, a ênfase em ajuste e arrecadação aponta para propostas que podem enfrentar resistência de setores dependentes de gastos públicos.

A promessa de comunicação mais clara e de transparência da gestão busca reduzir incertezas no mercado, mas a tradução dessa retórica em resultados dependerá do ritmo das votações no Congresso. A necessidade de construir maioria legislativa expõe o governo à dinâmica de interesses partidários e à possibilidade de acomodações que reduzam o alcance das reformas.

Para o Executivo, a mensagem é dupla: reafirmar compromisso com o equilíbrio fiscal e preparar a opinião pública para ajustes; para o Congresso, é um convite à negociação — com preço político. O desafio agora é transformar palavras em projeto crível, sem abrir mão das políticas sociais anunciadas, em um ambiente político que tende a complicar cortes e mudanças estruturais.

O Congresso tem papel central; vamos dialogar com transparência para viabilizar soluções sustentáveis.