O ministro da Fazenda, Dario Durigan, se reúne em Brasília, nesta terça-feira (2/6), com o vice-presidente Geraldo Alckmin e outros integrantes do governo para calcular os impactos e a resposta brasileira à proposta anunciada pelos Estados Unidos de impor tarifa de 25% sobre produtos importados do Brasil. A iniciativa americana, divulgada na véspera, trouxe menção a medidas que podem atingir setores sensíveis da economia brasileira.
Durigan sinalizou ontem (1/6) que, entre os alvos apontados pelos norte-americanos, estaria o Pix — informação que ele próprio destacou como objeto de atenção. Ainda que a proposta precise passar por tramitação nos EUA, o governo brasileiro encara a medida como potencialmente danosa para exportadores, cadeias produtivas e, possivelmente, serviços e fintechs relacionados a pagamentos.
A reunião tem tom técnico e político: além de avaliar perdas comerciais e efeitos sobre a balança, a pauta inclui alternativas de reação — da via diplomática a contramedidas econômicas — e o cálculo do custo político interno. Para Brasília, o desafio será transformar o diagnóstico econômico em estratégia coerente, capaz de proteger empresas e trabalhadores sem escalar um conflito comercial que onere ainda mais o comércio bilateral.
O episódio expõe fragilidades em negociações externas e força o governo a articular respostas rápidas com ministérios e embaixadas. Se não contornada, a proposta americana pode gerar repercussões concretas na confiança de mercados, na indústria exportadora e na agenda fiscal do Executivo, obrigando uma combinação de pressão diplomática e medidas de mitigação econômicas.