O presidente do PT e coordenador da campanha de reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, Edinho Silva, cobrou nesta segunda-feira (17/8) que as apurações da Polícia Federal não se limitem a pessoas próximas ao presidente, mas alcancem também supostas irregularidades atribuídas a integrantes da família Bolsonaro. A declaração foi dada na sede do partido, em Brasília, ao ser questionado sobre o inquérito que conecta Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e o ex-assessor Marco Aurélio Ribeiro (Marcola) a um esquema de fraudes no INSS.

Edinho sustentou que, se há autonomia institucional para investigar aliados de Lula, o mesmo padrão deve valer para os Bolsonaro. Citou como pontos a serem esclarecidos remessas de recursos ao exterior — perto de R$ 70 milhões, segundo referência feita por ele — e uma compra de imóvel em Brasília financiada pelo BRB, ligada a apurações envolvendo o banco Master. A cobrança ressalta a adoção de um argumento de simetria institucional: investigação para todos, sem exceção.

O tom adotado pelo dirigente reforça o esforço do governo e da campanha em se posicionar como comprometidos com o combate à corrupção, sem interferir em procedimentos. Edinho também repetiu a defesa do devido processo e do direito de ampla defesa para os investigados, alinhando-se à posição pública de Lula, que afirmou acreditar no filho mas disse não ter pedido arquivamento de apurações.

Politicamente, a movimentação do PT funciona como contra-argumento às críticas de protecionismo e busca explorar possíveis desgastes do adversário. Ao mesmo tempo, pressiona o campo bolsonarista, que já sofre desgaste por episódios administrativos e escândalos financeiros. Para as instituições, o episódio testa a percepção de autonomia da Polícia Federal e a capacidade do sistema de investigação de tratar casos que toquem diferentes famílias políticas de forma isonômica.

A cobrança ocorreu no mesmo dia em que a PF registrou conversas entre Lulinha e a lobista Roberta Luchsinger, investigada por supostos repasses irregulares ao INSS, e apontou Marcola como beneficiário de um empréstimo. As afirmações de Edinho colocam o tema no centro do debate eleitoral, mas não substituem o papel da investigação: são retrato do momento e não julgamento definitivo sobre culpa ou inocência.