Um dia após a divulgação do levantamento Quaest, o presidente do PT e um dos coordenadores da campanha do presidente Lula, Edinho Silva, tratou o resultado como sinal de alerta para o projeto do PL. A pesquisa mostrou Flávio Bolsonaro numericamente à frente em intenção de voto — 45% contra 44% de Lula —, mas com rejeição superior: 52% contra 47% do petista. Para Edinho, esses números revelam que o eleitor interpreta a trajetória do candidato para além das mensagens da campanha.
O levantamento, contratado pelo Grupo Globo, ouviu 2.154 eleitores entre 17 e 20 de outubro e tem margem de erro de dois pontos percentuais. Esse recorte técnico importa: a diferença de intenções está dentro da margem, mas a distância na rejeição não. Analistas de campanha costumam lembrar que altos índices de rejeição reduzem a margem de crescimento de um nome — ou seja, podem dificultar a conversão de intenções em votos na hora da urna, mesmo quando o candidato aparece à frente em cenários estimados.
Edinho aproveitou a repercussão para pressionar a emissora que encomendou a pesquisa: pediu checagem de fatos durante o debate da Globo, argumentando que o adversário recorre com frequência a afirmações falsas. O coordenador também explorou supostas contradições na atuação pública de Flávio, apontando decisões e movimentações financeiras que, segundo ele, pesam contra a imagem do presidenciável. A solicitação de checagem busca não só conter desinformação como transformar a dinâmica do confronto televisivo em um fator de desgaste adicional.
Do ponto de vista político, o quadro exposto pela Quaest acende alerta para o PL: liderar por margem estreita enquanto acumula rejeição mais alta cria um dilema estratégico — crescer sem aumentar o índice de rejeição ou reduzir o sentimento negativo sem ceder terreno nas intenções. Para o governo e para a oposição, os números servem como retrato do momento e como guia de prioridades na reta final: monitorar tendência, ajustar postura nos debates e, no caso de Lula, explorar a vulnerabilidade do adversário sem subestimar a volatilidade do eleitorado. A pesquisa não define o resultado, mas complica a narrativa oficial do PL e reforça a importância da agenda de campanha nos próximos dias.