O presidente do PT, Edinho Silva, reafirmou nesta terça-feira a aposta da campanha pela defesa de reformas no Poder Judiciário como eixo da estratégia para o segundo turno. Em entrevista concedida à CNN, ele enfatizou a necessidade de “mudar o modelo do Poder Judiciário brasileiro” e colocou a pauta institucional no centro do discurso petista para responder ao desgaste sofrido no primeiro turno.

Ao reconhecer o efeito da crise entre ministros do Supremo Tribunal Federal sobre o desempenho de Luiz Inácio Lula da Silva, Edinho fez uma leitura política clara: a sociedade associou o conflito institucional ao governo, transferindo ao presidente responsabilidades que, segundo ele, não cabem integralmente ao Executivo. A admissão tem peso político: expõe um custo eleitoral já contabilizado pela campanha e acende alerta sobre a necessidade de ajustar narrativa e foco nas próximas semanas.

“É necessário que se reforme o Poder Judiciário brasileiro, é necessário que se mude o modelo do Poder Judiciário brasileiro”, afirmou Edinho Silva à CNN.

A fala de Edinho também teve alvo claro na oposição. Ele questionou a consistência de quem, no espaço político do PL, passou a campanha atacando o Judiciário e propondo impeachment de ministros da Corte. Ao citar a família Bolsonaro, o dirigente petista destacou, em tom de acusação, práticas do passado — como decisões tomadas pelo ex-presidente na gestão de superintendentes e ministros — para classificar como contraditória a defesa de um “fortalecimento” do Judiciário por parte de quem, na sua avaliação, teria agido para protegê‑los.

Do ponto de vista estratégico, a opção de elevar o debate sobre reforma institucional busca dois efeitos: neutralizar a narrativa que vinculou o Judiciário ao governo e forçar a oposição a explicar contradições. Politicamente, contudo, a tática tem riscos. Ao reconhecer publicamente o impacto da crise do STF nas urnas, a campanha admite fragilidade e, ao mesmo tempo, abre espaço para que adversários explorem a questão institucional nas redes e no Congresso — movimento que pode ampliar desgaste e complicar a narrativa oficial do governo nas próximas semanas.