Por meio de nota oficial, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, acusou o pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) de reproduzir o mesmo método do pai ao atacar a confiança nas urnas eletrônicas. Segundo o dirigente petista, a estratégia de questionar a integridade do sistema de votação tem caráter desinformativo e o partido estuda medidas judiciais cabíveis.

As declarações referem-se a um evento realizado na terça-feira em Brasília, organizado pela agência Novo Selo Comunicação e pelo site The Brazilian Report, no qual Flávio pediu aos países que enviassem “a maior quantidade de observadores possíveis” para acompanhar as eleições em outubro. Na ocasião, ele voltou a citar, sem provas, alegações sobre a suposta participação da empresa venezuelana Smartmatic no sistema eleitoral — versão já rebatida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Edinho relacionou a ofensiva retórica a episódios anteriores que tentaram deslegitimar o processo eleitoral. O dirigente do PT lembrou que desconfianças semelhantes sobre as urnas estiveram no centro de investigações e julgamentos após os ataques de janeiro de 2023 e ressaltou o potencial de gravidade de campanhas que minam a confiança nas instituições. O TSE, recorde-se, já condenou Jair Bolsonaro em 2023 à inelegibilidade em processo relacionado a questionamentos promovidos em 2022.

No plano político, a nota do PT transforma a fala de Flávio em ponto de litígio: além da possível via judicial, a iniciativa tende a ampliar o desgaste no campo bolsonarista e a colocar pressão sobre o Congresso e o Judiciário para reagirem à repetição de narrativas desmentidas. A movimentação do PT sinaliza que a disputa sobre a confiança no sistema eleitoral deve ser tema central nos próximos episódios da campanha.