O candidato à Presidência Edmilson Costa (PCB) apresentou ao Tribunal Superior Eleitoral o programa de governo 'Construir o Poder Popular, Rumo ao Socialismo', que traz propostas econômicas e sociais de ruptura com a ortodoxia vigente. Entre as medidas destacadas estão a adoção da jornada semanal de 30 horas sem redução salarial e o fim da escala 6x1; a recomposição do poder de compra por meio de um 'salário mínimo necessário' segundo cálculos do Dieese; e a defesa de saúde, transporte coletivo e educação 100% públicos.

O documento, disponível no site do TSE, também prevê a estatização de áreas consideradas estratégicas — água, energia, saneamento e setores produtores de bens essenciais —, o combate a monopólios nas comunicações, reforma agrária popular e a criação de uma lei de responsabilidade social para financiar políticas públicas. A proposta de extinção do arcabouço fiscal coloca o plano em colisão direta com regras e expectativas do mercado e das finanças públicas, o que acende alerta sobre a viabilidade orçamentária e possíveis reações institucionais e econômicas.

No campo externo e ideológico, o programa ressalta a luta contra o 'imperialismo' e declara solidariedade a Cuba, Palestina, Irã e Venezuela, além de propor romper com o que chama de 'velha ordem oligárquica'. Politicamente, a plataforma posiciona o PCB numa estratégia de ruptura que visa pautar o debate público, mas que também tende a ampliar ceticismo entre eleitores moderados e atores econômicos sensíveis a mudanças bruscas na política fiscal e na propriedade de ativos.

As propostas de Edmilson Costa devem provocar discussão sobre custos fiscais, impacto no mercado de trabalho e na prestação de serviços públicos. Mais do que oferecer um plano de governo tradicional, a candidatura do PCB busca deslocar o centro do debate, testando a recepção social a medidas de caráter eminentemente redistributivo e estatizante.