Edmilson Silva Costa, 76 anos, reúne trajetória acadêmica e militância partidária numa candidatura que pretende colocar as propostas do PCB no centro do debate para 2026. Natural de Pedreiras (MA), é doutor em Economia pela Unicamp, com pós-doutorado no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da mesma universidade. Autor de estudos sobre o capitalismo contemporâneo e de obras recentes sobre a crise brasileira e a juventude, Costa também cultiva a produção literária. A chapa presidencial do PCB tem Cleusa Santos como candidata a vice e registra o número 21 na urna.

A vida política de Costa começou no movimento estudantil e consolidou-se na oposição ao regime militar, período em que sofreu perseguição política. Ao longo das últimas décadas manteve atuação próxima a movimentos sociais e à defesa das liberdades democráticas, tornando-se uma das lideranças do PCB. Não é novato em disputas eleitorais: concorreu à Prefeitura de São Paulo em 2008, integrou a chapa de Ivan Pinheiro como vice em 2010, disputou a vice-prefeitura de São Paulo em 2012 e tentou uma vaga no Senado em 2014. Essas experiências reforçam o caráter persistente, porém de recursos limitados, da sua presença nas campanhas nacionais.

O programa de Costa é explicitamente socialista e anticapitalista. O economista concentra críticas ao sistema financeiro e ao modelo neoliberal, propondo estatização de setores considerados estratégicos e maior controle popular sobre decisões políticas e econômicas. Essas propostas buscam redesenhar o papel do Estado na economia, mas esbarram em argumentos contrários relativos à responsabilidade fiscal, ao ambiente de negócios e à capacidade de atração de investimentos. No plano político, a agenda do PCB tende a empurrar a discussão à esquerda, forçando partidos maiores a explicitar seu posicionamento sobre estatização e regulação.

Do ponto de vista eleitoral, a candidatura de Edmilson Costa tem um papel mais de afirmação de identidade e propaganda de ideias do que de disputa pelo centro do eleitorado. A presença do PCB no pleito amplia o pluralismo ideológico, mas enfrenta o desafio estrutural de converter notoriedade intelectual e história política em penetração eleitoral significativa. Para 2026, o impacto provável é de agenda: cortar espaço para debates sobre regulação do sistema financeiro e participação popular nas decisões, mesmo que a viabilidade de vitória permaneça remota. O número na urna da chapa é 21.