Em vídeo divulgado nas redes sociais, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro ampliou a ofensiva contra o chamado 'tarifaço' que ameaça produtos brasileiros nos Estados Unidos e acusou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de omissão por cálculo eleitoral. Segundo Eduardo, a estratégia do governo seria não enfrentar publicamente a Casa Branca para evitar desgaste, mesmo que o custo recaia sobre consumidores e exportadores brasileiros.
A disputa ganhou formato institucional: o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) inscreveu-se para falar na audiência pública do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) marcada para 6 de julho, pedindo o tempo padrão de cinco minutos para defender a suspensão das medidas e, segundo documento enviado ao órgão, o sistema de pagamentos brasileiro Pix. O Planalto, por sua vez, orientou a não participação oficial, apostando em negociações diretas e canais diplomáticos com a administração americana.
A presença dos Bolsonaro em Washington ocorre enquanto Eduardo permanece nos EUA e intensifica contato com parlamentares norte‑americanos — fotos com senadores foram publicadas em suas redes. O cenário também carrega componente legal e institucional: em 16 de junho, Eduardo foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a quatro anos e dois meses por coação no curso do processo, e a Procuradoria‑Geral da República o acusou de atuar para incentivar sanções externas contra autoridades brasileiras e a economia do país.
Do ponto de vista político, o episódio joga pressão sobre o governo e oferece palanque à oposição. Se as sobretaxas avançarem — a hipótese de 25% chegou a ganhar força após articulações em Washington —, o impacto imediato será econômico, sobre exportadores e cadeias produtivas; politicamente, aumentará o custo de comunicação para o Planalto e dará munição aos adversários na corrida até 2026. A estratégia do governo de evitar exposição pública às audiências tende a reduzir confronto direto, mas abre espaço para que rivais explorem a narrativa de inação e busquem capitalizar politicamente sobre possíveis perdas reais para a economia.