Em entrevista ao canal argentino Carajo Stream na noite de quinta-feira (22/10), o ex-deputado Eduardo Bolsonaro afirmou que a saída do Brasil dos BRICS está “em cima da mesa” se o país mantiver a atual orientação diplomática do governo Luiz Inácio Lula da Silva. O posicionamento foi apresentado em tom categórico, com críticas diretas à composição e à agenda do bloco.
Eduardo criticou a entrada do Irã no grupo e associou a intenção do BRICS a uma estratégia contrária aos Estados Unidos, abrangendo dimensões econômica e cultural. Ele também questionou a proposta de uma moeda comum entre os membros — posição que, segundo ele, poderia repercutir na dependência do dólar e nas opções de alinhamento internacional do país. Em sua fala, atribuiu contradições ao fato de países em tensão, como Irã e Emirados Árabes Unidos, integrarem o mesmo agrupamento.
A declaração tem dupla função: aponta oposição à atual política externa do governo petista e sinaliza à base conservadora uma linha de pressão por maior alinhamento com os EUA. Sem anunciar medidas concretas, o recado de Eduardo transforma-se em instrumento de disputa política sobre os rumos diplomáticos do Brasil, ao mesmo tempo em que alimenta o debate público sobre custos e benefícios da participação no BRICS.
Ele condicionou a hipótese de saída aos rumos da política externa — e afirmou que, mesmo permanecendo no bloco, o país precisaria adotar uma orientação distinta da defendida pela atual gestão. A mensagem reforça que a relação do Brasil com os BRICS deixou de ser apenas pauta técnica e virou elemento de disputa política, com potenciais consequências para o posicionamento internacional do país.