O ex-deputado Eduardo Bolsonaro publicou nas redes sociais um vídeo em que mostra a compra de três armas em uma loja dos Estados Unidos: um fuzil AR‑15, uma espingarda calibre 12 e uma pistola tipo glock. Na gravação, ele compara a facilidade de aquisição nos EUA com as regras brasileiras, cita custos e impostos e afirma que carregar arma seria um direito constitucional que pode ser exercido com cursos específicos nos Estados americanos.

No material que viralizou, Eduardo também comparou índices do Texas com os do Brasil, dizendo que o estado americano teria número de homicídios inferior ao do país. Os dados citados na publicação entram em um contexto mais amplo: o Atlas da Violência 2026 aponta que, em 2024, 7 em cada 10 homicídios no Brasil foram cometidos com armas de fogo, totalizando 29.870 mortes por arma de fogo. Por outro lado, registros do Gun Violence Archive (GVA) para 2025 contabilizam cerca de 40 mil pessoas baleadas nos EUA, com mais de 14,6 mil mortes e 26,1 mil feridos — números que relativizam comparações simplistas entre territórios distintos.

A mensagem de Eduardo busca reforçar a pauta de flexibilização do acesso civil às armas, explorando a imagem da compra direta como exemplo de liberdade individual. Politicamente, a ação tem duplo efeito: mobiliza a base favorável às armas e reacende a discussão pública sobre direitos e segurança, mas também abre espaço para críticas técnicas. Comparar taxas estaduais americanas com médias nacionais brasileiras, sem considerar variáveis sociais, demográficas e de controle de armas, é redução que não agrega ao debate técnico.

Do ponto de vista institucional, a iniciativa pode pressionar parlamentares e movimentos pró-armas a retomar propostas de flexibilização, ao mesmo tempo em que amplia a contestação de especialistas e setores que apontam para o papel das armas na escalada de homicídios no Brasil. A disputa, portanto, segue mais política do que técnica: exige-se que qualquer proposta sobre armas seja confrontada com dados completos e com avaliação dos impactos reais sobre segurança pública, economia e direitos.