O confronto público entre Eduardo Bolsonaro (ex-deputado federal pelo PL-SP) e a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) reacendeu a discussão sobre quem efetivamente participou da elaboração do plano de governo do pré-candidato Flávio Bolsonaro. Nesta segunda-feira (13/7), Eduardo contestou a versão de Damares de que havia integrado a equipe responsável pelo documento, enquanto a senadora afirmou ter se afastado após sofrer ataques de setores da direita.

A assessoria de Damares apresentou versão divergente: segundo a equipe, a senadora colaborou com propostas — em especial nas áreas de direitos humanos e assistência social — e essas contribuições foram encaminhadas à campanha. O gabinete afirmou ainda que não houve rompimento e que o material está sob responsabilidade da coordenação de Flávio.

A diferença de narrativas expõe um movimento claro dos aliados do pré-candidato: minimizar formalmente a participação de figuras que possam gerar desgaste. Mesmo assim, a divergência pública cria ruído. Quando integrantes do mesmo campo divulgam versões opostas sobre papéis e entregas, aumenta a percepção de desorganização e o custo político de montar uma agenda coerente para a pré-campanha.

Ficam abertas duas perguntas centrais para o núcleo bolsonarista: se houve contribuição formal, por que a senadora passou a relatar afastamento; se não houve, por que a assessoria garante que as propostas foram entregues? A resposta terá impacto direto na capacidade de Flávio de controlar a narrativa sobre seu programa e de neutralizar potenciais fontes de desgaste interno.