Um contrato obtido por veículos de imprensa e divulgado recentemente coloca o ex-deputado Eduardo Bolsonaro como produtor executivo do longa Dark Horse, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. O documento, assinado digitalmente em 30 de janeiro de 2024, descreve explicitamente funções vinculadas ao financiamento — desde a preparação de informações para investidores até ajuda na identificação de fontes de recursos, créditos fiscais e patrocínios. A peça, portanto, conflita com a declaração pública do ex-deputado de que não exerceu qualquer gestão sobre o fundo associado ao filme.

A revelação ocorre no mesmo contexto em que já se sabia da intermediação do senador Flávio Bolsonaro na aproximação com o banqueiro Daniel Vorcaro, que acertou investimento para a produção. Vorcaro formalizou compromisso de R$ 134 milhões, mas efetivou transferências de cerca de R$ 61 milhões. Relatórios anteriores apontaram que parte dos recursos acabou num fundo sediado no Texas, o Havengate Development Fund LP, controlado por aliados ligados a Eduardo e por Paulo Calixto, advogado responsável por temas de imigração do ex-deputado.

Mensagens privadas, compartilhadas com interlocutores próximos à família Bolsonaro, mostram que Eduardo atuou na orientação sobre o fluxo das remessas, inclusive sugerindo alternativas para acelerar transferências e reduzir riscos operacionais. Esses detalhes reforçam a impressão de envolvimento ativo na estratégia financeira da produção, e não apenas a cessão de direitos de imagem que vinha sendo alegada na versão pública. A defesa de Mario Frias, também listado no contrato como produtor executivo, afirmou que Eduardo não recebeu valores do fundo e negou a titularidade plena do cargo apontado no documento.

Do ponto de vista institucional, a documentação acende alerta: há agora base documental que amplia desgaste político e oferece material para aprofundar investigações sobre destino e uso dos recursos. A Polícia Federal investiga se parte do investimento poderia ter sido usada para custear despesas pessoais do ex-deputado nos Estados Unidos. Mesmo sem conclusão, o fato de existirem contratos, repasses parciais e estruturas offshore aumenta a pressão sobre a narrativa oficial e complica o discurso de transparência apresentado por aliados.

A nova etapa do caso tende a gerar efeitos concretos no tabuleiro político. Para o grupo bolsonarista, a exposição abre espaço para questionamentos sobre governança financeira e relações com investidores privados. Para a oposição e órgãos de controle, o material reforça a necessidade de apuração detalhada. Num ano de pré-campanha, esses desdobramentos têm potencial para ampliar a percepção de risco reputacional e político em torno dos protagonistas envolvidos.