O ex-deputado Eduardo Bolsonaro publicou nesta segunda-feira um vídeo em que recorre a uma montagem produzida por inteligência artificial para simular um confronto com o deputado Nikolas Ferreira. Apesar do rótulo inicial — “Nikolas versus Eduardo” —, o conteúdo não aprofunda desavenças entre os dois e redireciona rapidamente a mensagem: um apelo explícito à mobilização de eleitores brasileiros que residem no exterior.
No material, Eduardo pede que o vídeo seja amplamente compartilhado e ressalta a importância do voto externo: menciona cerca de 5 milhões de brasileiros vivendo fora do país e a diferença de votos registrada em 2022 como argumento para justificar a mobilização. Ele também detalha, passo a passo, como regularizar a situação eleitoral pelo site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), incluindo atualização cadastral e envio de documentos. Ao longo da gravação, faz críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e aponta o senador Flávio Bolsonaro como alternativa.
Alguns usuários apontaram que Eduardo teria usado o nome de Nikolas apenas como chamariz para seu próprio vídeo.
A publicação ocorre após um desentendimento público entre Eduardo e Nikolas no fim de semana, episódio que ganhou tração nas redes e expôs ruídos dentro do mesmo campo político. Entre apoiadores, a postagem suscitou reações divididas: parte do público classificou a peça como manobra de engajamento que explode a referência ao embate sem aprofundar o tema; outros elogiaram as orientações práticas para eleitores no exterior e reconheceram a relevância do público diáspora para resultados eleitorais.
Do ponto de vista político, a estratégia mistura comunicação de campanha com tecnicidade: usar uma montagem de IA como isca para um recado funcional indica instrumentalização do conflito público para fins de mobilização. O episódio acende alerta sobre a capacidade de coerência do grupo conservador e amplia desgaste entre lideranças que precisam mostrar alinhamento antes de 2026. Há ainda questões éticas e eleitorais no uso de imagens sintéticas na comunicação política, tema que tende a ganhar espaço no debate público.
Se a tática de transformar atritos em dispositivo de engajamento se repetir, o efeito pode ser duplo: mobilizar eleitores estratégicos fora do país e ao mesmo tempo aprofundar fissuras internas que cobram resposta da coordenação política. Para além do alcance imediato nas redes, a ação revela uma aposta pragmática em micro‑targeting eleitoral — com custos reputacionais e o risco de intensificar disputas dentro do próprio campo.
Houve também quem elogiasse as instruções sobre regularização no TSE e ressaltasse a importância de brasileiros no exterior participarem da eleição.