O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro negou, em entrevista no domingo (17/5), ter mantido qualquer contato com o empresário Daniel Vorcaro e afirmou que a possibilidade de o senador Flávio Bolsonaro desistir da pré-candidatura à Presidência é "zero". As declarações foram dadas em meio à repercussão de reportagens que apontam contatos entre Vorcaro e Flávio durante negociações de financiamento do filme Dark Horse, incluindo referências a transferências ao fundo Havengate via empresa Entre Investimentos e Participações.

Eduardo defendeu que a campanha do irmão precisa estruturar um gabinete específico para respostas rápidas a ataques e denúncias, mas recomendou cautela para evitar contradições: "A gente demora um pouco para responder porque não podemos dar uma resposta qualquer", disse. Ele insistiu que a aproximação com Vorcaro se limitou ao financiamento do longa e afirmou categoricamente não ter tido o telefone do empresário, nem participação em encontros ou troca de mensagens.

As revelações — e a reação de críticos da própria direita, como os governadores Ronaldo Caiado e Romeu Zema — acendem alerta sobre desgaste e complicam a narrativa oficial. Mesmo com a defesa pública de Eduardo de que só Flávio teria condição de derrotar Lula, o episódio exige da campanha uma capacidade de resposta técnica e documental maior do que a exibida até aqui. A falta de respostas imediatas e consistentes tende a ampliar a pressão política e a abrir espaço para disputas internas sobre estratégia e gestão de riscos.

Do ponto de vista eleitoral, trata-se de um retrato do momento, não de uma previsão: a manutenção da pré-candidatura anunciada por Eduardo busca preservar a coesão do espaço de direita, mas não elimina a necessidade de esclarecimentos que reduzam incertezas frente ao eleitorado. A capacidade do comando de campanha em demonstrar transparência e coordenação será determinante para conter o desgaste e mitigar efeitos sobre a competitividade de Flávio no cenário de 2026.