Na véspera do julgamento marcado para esta terça-feira na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro publicou mensagens em inglês no X pedindo ao presidente Donald Trump e a autoridades do governo norte-americano que reinstalem sanções contra o ministro Alexandre de Moraes. O pedido, dirigido também ao senador Marco Rubio e ao secretário de Tesouro Scott Bessent, acusa o relator de violação de direitos humanos e tenta envolver administradores dos EUA na controvérsia judicial.
Nas postagens, Eduardo afirmou que o STF estaria se preparando para condená‑lo em retaliação a Trump e chegou a dizer que a Corte trata a administração norte‑americana “como se fosse uma organização criminosa”. Ele qualificou como um erro a suspensão anterior das medidas punitivas e pediu a reinstituição imediata das sanções. O recado ocorre enquanto ele responde à acusação de coação no curso do processo — relacionada a tentativas de interferência no julgamento da chamada trama golpista, no âmbito em que seu pai, o ex‑presidente Jair Bolsonaro, foi condenado — e enquanto permanece nos Estados Unidos desde 2025.
No plano jurídico, o ministro Alexandre de Moraes negou, na véspera, pedido da Defensoria Pública da União para adiar a sessão, citando que o regimento do STF permite julgamentos com o quórum presente e lembrando que, em processos penais, eventual empate favorece o réu. A Primeira Turma reúne Moraes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia, e trabalha com uma vaga aberta desde a aposentadoria de Luís Roberto Barroso — a indicação de Jorge Messias foi rejeitada pelo Senado, segundo registros públicos.
Politicamente, a manobra de Eduardo busca internacionalizar a disputa e transformar um litígio processual em instrumento de pressão externa. O apelo aos EUA pode ampliar desgaste e acender alerta sobre uso de retórica geopolítica para fins domésticos, com risco de tensionar canais diplomáticos e reforçar a narrativa de confronto entre o Executivo, o Legislativo e o Judiciário. Para além da defesa pessoal, o episódio expõe como recursos de dimensão internacional podem ser mobilizados em disputas internas — uma estratégia que complica interlocuções e traz custos políticos imediatos, inclusive para aliados que precisarão calibrar posicionamentos diante de repercussões externas.