Às vésperas do julgamento marcado no Supremo Tribunal Federal, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro intensificou a ofensiva contra a Corte e o ministro Alexandre de Moraes, pedindo publicamente ao ex-presidente dos EUA Donald Trump e a integrantes de sua administração a retomada de sanções contra o magistrado. Em postagem na plataforma X, ele afirmou estar prestes a sofrer uma “condenação em retaliação” e associou sua situação a uma suposta perseguição política.
Eduardo responde a acusação de coação no curso das investigações sobre os atos de 8 de janeiro. A apuração, originada por contatos com integrantes do governo norte-americano, levou a Procuradoria-Geral da República a apresentar denúncia que foi aceita pelo STF em novembro do ano passado. Segundo a investigação, o ex-parlamentar teria atuado junto à equipe de Trump para defender medidas como imposição de tarifas e suspensão de vistos a autoridades brasileiras e ministros do Supremo. Ele rebate a interpretação de que essas articulações configurariam crime, alegando que isso equivaleria a tratar autoridades americanas como integrantes de organização criminosa.
O apelo a Washington representa uma tentativa explícita de internacionalizar a disputa e usar pressão externa contra um ministro do STF. Essa estratégia acende alerta institucional: recorrer a sanções econômicas e diplomáticas como instrumento de disputa doméstica tende a amplificar desgaste político e a complicar a narrativa governista de perseguição. Para além do efeito imediato sobre a figura do investigado, a movimentação reforça tensão entre Brasília e atores internacionais e pressiona o debate sobre limites entre ação política e a autonomia do Judiciário.
Com Eduardo nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025, a mobilização pública ocorre num momento crítico — o julgamento no STF está agendado para esta terça-feira — e coloca em evidência a vulnerabilidade de uma disputa que transita entre tribunais, diplomacia e opinião pública. Resta saber se o gesto surtirá reação oficial no exterior; no plano interno, a manobra já amplia custos políticos para o círculo bolsonarista e alimenta questionamentos sobre o uso de canais internacionais em conflitos judiciais.